

Isto acontecerá porque as relações comerciais em todo mundo estão mudando e esta visão foi muito bem captada mais recentemente no Livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade de Yuval Harari. Segundo esta visão, estamos no limiar de uma nova era e o Homo Sapiens, tal qual conhecemos hoje, será dominado por uma nova raça que será um misto de humano e tecnologia num futuro não muito distante. Isto se refletirá também no mercado. Como muito bem foi abordado neste livro, a revolução industrial criou uma classe de trabalhadores que tinham uma grande força de pressão sobre o mercado. Agora a revolução tecnológica com todos os seus avanços de automação vai criar uma massa de trabalhadores quase que inútil e das quais os meios de produção não dependerão.

No mercado imobiliário, já há tentativas de operar direto comprador/vendedor sem a participação de corretores como intermediários com a proposta de fazer a intermediação através de aplicativos. O que devemos fazer? Gritar? Chorar no cantinho? Creio que não adiantará muito. O que temos que fazer é nos capacitarmos, melhorar nossos aplicativos de apoio de forma a atender nossos clientes de maneira mais eficiente e agregarmos valor nos nossos contatos.

Um dos primeiros pontos ao qual temos que nos atentar, é a correta qualificação das necessidades do cliente. Para fazermos uma oferta adequada, devemos entender da forma mais completa possível o que o cliente deseja. Além do óbvio (quantos dormitórios, área útil e vagas para veículos) devemos também explorar quantas suítes o cliente deseja, qual a altura do andar desejado, se lazer é importante, se ter escolas próximas é desejável, e assim por diante. Obviamente, num primeiro nível, isto vai depender do perfil da família. Para uma família jovem, que tenha filhos na faixa de idade entre 5 e 10 anos, ter lazer com quadra, piscina, playground e sala de jogos pode ser importante. Para um casal jovem, que ainda não pensam em filhos de imediato, pode ser que apenas uma sala de ginástica e uma piscina sejam suficientes. Em fim é preciso explorar todos estes aspectos para não oferecer um elefante branco ou um pangaré quando o cliente deseja um rápido puro sangue.

PRIMEIRO: Estabeleci uma região de referência. Para tal, escolhi a região de Higienópolis e Santa Cecília. As regiões de referência (Higienópolis e Santa Cecília) foram divididas em 4 áreas (ver mapa abaixo). Região 1: Compreende a região de Higienópolis polarizada pelo Shopping Higienópolis. Região 2: Inclui a avenida Angélica e toda a região abaixo da região 1 até a rua das Palmeiras. Região 3: Toda região abaixo da Região 4 até a Av. Rio branco ao norte, pela rua Conselheiro Brotero (inclusive)a oeste e pela Alameda Glete ao leste.
Região 4: Toda a região limítrofe do “Minhocão”, São João, Arouche, República e Anhangabaú.

SEGUNDO: Foram estabelecidas pontuações para área útil, infraestrutura (segurança, lazer, estado do imóvel, conforto, ...), vaga de garagem, etc. Estes dados são contabilizados através de algoritmos matemáticos em uma planilha Excel.
TERCEIRO: Tomando por base o preço por metro quadrado das regiões, definido pela classificação do CRECI estabeleci regiões equivalentes para as regiões 1, 2, 3 e 4 da planilha. Com este artifício, apartamentos de qualquer bairro de São Paulo podem ser avaliados.
Desta forma colocando os dados do apartamento que o cliente deseja em termos de região, área útil, andar, número de vagas, suítes, lazer, etc. Posso determinar qual faixa de valor está o que ele deseja e assim saber se sua expectativa está adequada. Da mesma forma, posso rapidamente avaliar se determinado apartamento está com um valor acima ou abaixo do valor de mercado.Segue abaixo um "print" da planilha avaliando 2 apartamentos de mesmo tamanho porém com características diferentes.

Com relação a agregarmos valor ao nosso atendimento devemos ter especial atenção. Já ví muitos corretores dizendo esta é a sala, esta é a suite, esta é a cozinha... O cliente deve ter pensado: "será que este idiota pensa que eu não sei o que é uma sala?" Devemos procurar passar informações relevantes e que agreguem valor ou então, ficarmos quietos para não falarmos bobagens... Levantar a ponta de um carpet para mostrar que o carpet esconde um taco de excelente qualidade, por exemplo, ou chamar a atenção para que a planta favorece a criação de uma excelente cozinha integrada à sala ou que permite transformar facilmente 2 dormitórios em duas excelente suítes, pode definir uma compra. Vejam por exemplo este caso que exemplifica esta abordagem (é um caso real):
APARTAMENTO PARA UM JOVEM CASAL



Com base nestas informações, perguntei se poderia fazer uma sugestão para reforma com o que concordaram. Assim sendo, fiz a seguinte sugestão: Utilizei o corredor de acesso ao quarto para encaixar um lavabo e aumentei o banheiro pegando espaço do quarto que tinha 5,45 m colocando inclusive um "closet" e um armário deixando o quarto com 3,50 m e desloquei a porta de entrada do quarto a lateral da sala. Vejam o resultado na planta abaixo.


Não quero com isto dizer que todo o corretor deva fazer uma planta a cada apartamento que for apresentar mas que pelo menos tenha a capacidade de entender a distribuição do apartamento e sentir exatamente o que o cliente deseja para poder propor alternativas.

Estas são apenas algumas questões. Não existe uma receita pronta e cada um deve achar o melhor caminho de acordo com o seu perfil e suas características. Lembrando que devemos aperfeiçoar o que temos de melhor e melhorar naquilo que não somos tão bons.
Procurei dar exemplos práticos porque falar é muito fácil o difícil é fazer. Da mesma forma, discursos genéricos tem pouco valor e convenhamos, o mercado está cheio de discursos genéricos e muita gente querendo ensinar como fazer sem mostrar caminhos.

Então seja melhor e, se puder, seja o melhor!!!
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